sexta-feira, 3 de junho de 2011

O PAÍS DO FUTURO...

Por Regina Cioffi *
Acho que os tempos mudaram. E muito. Lá se vai o tempo em que as meninas ainda brincavam de boneca e sonhavam com príncipes encantados desde a tenra idade. Os meninos mais afoitos chutavam suas bolas feitas de meia de seda com papel amassado e invariavelmente lá vinha o vizinho reclamando do vidro quebrado. As coisas eram mais simplórias. Não tinha internet nem esses brinquedinhos eletrônicos mais sofisticados que, em muitos dos casos, leva à obesidade precoce.
Hoje tudo parece ser diferente. Temos uma infinidade de tipos de mochilas que enchem os olhos das crianças e esvaziam os bolsos dos pais. Não faz tanto tempo assim os alunos carregavam seus cadernos – quase sempre um só - e os poucos livros – e quando era possível comprar - na mão ou em pastas de couro. Os menos privilegiados carregavam seus pertences no saco de pano tirado de um velho saco de farinha que bem alvejado causava inveja a muitos outros meninos.
Não existiam “Vans” ou “Peruas” para pegar na porta de casa e levar no portão da escola. A solução era andar. Poucos pais tinham a possibilidade de levar, de carro, seus rebentos à escola. Hoje, os mais gordinhos desembarcam do carro da mãe ou de veículos alugados para esse fim. Os mais esguios chegam andando. É uma questão de pura observação.
Ao longo desses meus 25 anos como pediatra já foi possível compreender o que está certo ou errado com os jovens em termos de postura, alimentação, convívio social. Essa meninada que dentro de 20 anos estará no exercício pleno da cidadania, já serão homens e mulheres feitos e prontos para a vida. Muitos com filhos. E os erros irão persistir.
Sou do tempo em que educação se aprendia em casa e conhecimento na escola. Não tinha o ECA ( Estatuto da Criança e do Adolescente ) e nem por isso os jovens eram mais agressivos. Os tempos mudaram e muito.
Como vereadora e médica cuidando de crianças e adolescentes, achei que determinadas regras poderiam ajudar, de alguma forma, através de leis mais orientadoras do que inovadoras, uma mudança do perfil dessa juventude cuja tendência será sempre mais temerária.
Foi assim que pensei no controle do peso das mochilas, num acompanhamento nas escolas do peso e altura para evitar-se a obesidade infantil com graves e sérios reflexos numa idade mais avançada. Na proibição da venda de salgados nos estabelecimentos de ensino e do uso de sucos naturais no lugar de refrigerantes calóricos. Mas parece que essa luta tem sido em vão. Porém, continuarei lutando por aquilo que acredito, e sei que a determinação e a persistência são as “armas”que inexoravelmente nos levam às vitórias, que não são minhas, mas de toda a população.
No início da minha vida profissional – assim como acontece com quase todos os médicos recém-formados – trabalhei no pronto-socorro e vi muitas crianças chegarem com queimaduras graves, pé quebrado, traumatismos de crânio, ferimentos corto-contusos, engasgos, e tantas outras ocorrências que as possíveis complicações poderiam ser evitadas se, nas escolas ou em casa, os pais e professores tomassem medidas antes que o socorro pudesse ser realizado.

Foi com esse objetivo que apresentei um projeto de lei para criar a consciência dos primeiros-socorros nas escolas. O que fazer com uma criança com fratura exposta antes da chegada do SAMU? Como agir no caso de uma Crise Convulsiva ? Poderia ficar aqui relatando inúmeras possibilidades e casos já vivenciados.
Esse projeto – que pensava ser importante – foi rejeitado na última Sessão Ordinária da Câmara Municipal. Nem a questão da constitucionalidade foi objeto de questionamento. A idéia era de criar uma norma legal para que esse procedimento pudesse ser implantado nas escolas. Apenas isso. Coisa simples, mas com resultados fantásticos como em outros centros mais desenvolvidos. Mas, infelizmente a conotação política prevaleceu , tenho que respeitar, afinal vivemos a era da Inteligência Emocional ou será que estou enganada?
E tem gente que diz ser esse o país do futuro...
• Vereadora e médica pediatra

0 comentários: