segunda-feira, 28 de novembro de 2011

EFICIÊNCIA, RAPIDEZ E CORAGEM ( I )

Por Regina Cioffi (*)

É impossível prever o futuro com relação à nossa economia local em vista de possíveis crises políticas e econômicas que possam advir da situação européia. Mas é necessário que, com antecedência, possamos nos precaver, para que não tenhamos surpresas desagradáveis e conseqüências desastrosas.
A Europa, com toda sua pujança econômica e estabilidade social, poderá ser o estopim aceso, com graves e grandes danos para os países emergentes. Não vou entrar numa avaliação macro-econômica pois essa não é a minha praia. Prefiro me concentrar aqui, no nosso município. É aqui que os problemas aparecem, surgem e se agigantam caso não tenhamos a capacidade de refletir e tomar medidas preventivas e sérias.
Para que tenhamos um futuro melhor, precisamos, no presente, tentar entender o que aconteceu no passado. A crise americana de 2008 arrefeceu a nossa economia local mas poucos se deram conta disso. Durante muitas décadas recebemos, todos os anos, importantes recursos decorrentes da poupança forçada dos nossos emigrados. Foram muitos milhões de dólares injetados na nossa economia, aplicados principalmente na construção civil, gerando impostos e ocupação de mão-de-obra.
Mais de 2,5 milhões de brasileiros vivem no exterior sendo 1,5 só nos Estados Unidos.
Mais recentemente, nesses últimos anos, o fluxo migratório se direcionou para a Europa. Dados oficiais apontam que mais de meio milhão de brasileiros residem naquele continente. Temos, hoje, milhares de poços-caldenses, trabalhando legal ou ilegalmente em Portugal, Espanha e Itália. Exatamente os três países que, de certa forma, causaram essa grave crise com reflexos em todo o mundo. E serão eles os primeiros atingidos nesse tsunami econômico. Medidas protecionistas já estão sendo adotadas para resguardar o emprego dos nacionais alijando os estrangeiros que logo sentirão os reflexos indesejados. A crise de 2008 nos Estados Unidos foi sintomática. Era comum ouvir nos círculos de brasileiros desempregados que “é melhor ficar sem fazer nada e comer arroz e feijão na casa dos pais do que passar fome no exterior”. E milhares retornaram a Poços de Caldas gerando maior demanda nos serviços públicos principalmente na área da saúde. E isso poderá ocorrer mais uma vez.
As nossas contas públicas andam combalidas. Não é um fenômeno local. A crise ronda os mais de cinco mil municípios brasileiros. O governo federal arrecada cada vez mais, batendo recordes históricos, e as administrações municipais continuam recebendo cada vez menos. Como reverter essa situação ? Uma grande pergunta.
No ano que vem teremos, aqui em Poços, minguados recursos para investimentos. Entremeando essa grande dificuldade ainda teremos eleições. O governo de Minas apresenta uma dívida de mais de 40 bilhões e dificilmente terá capacidade de ajudar os municípios. Sinal de que as verbas para a construção da nova cadeia pública, centro de convenções e outras obras importantes deverão ficar para um futuro mais remoto. Precisamos construir mais creches, melhorar a malha viária, ampliar os serviços de saúde que demandarão recursos importantes. Mas nada disso poderá ser feito se não tivermos os recursos necessários.
Em síntese, precisamos saber captar recursos, executar projetos bem elaborados, e minimizar despesas desnecessárias. Uma gestão eficiente é oferecer bem-estar à população, planejar com olhares voltados para o futuro e respaldado numa legislação que possa nortear, sem subterfúgios, os direitos e deveres de cada um.
Não temos muitas alternativas. A principal é reduzir despesas e ampliar a arrecadação. Ou seja, um gestão eficiente, rápida e corajosa. É preciso que os três Poderes ( Executivo, Legislativo e também o Judiciário ) exerçam, na sua plenitude, os mandamentos fundamentais de bem servir a população. Todos precisam ser eficientes, rápidos e corajosos.
Propostas corajosas precisam ser colocadas sobre a mesa de ajustamento pelo Executivo. O Legislativo, com coerência e legalidade, aprovar o que for necessário. O Judiciário, quando acionado, ser célere nas decisões. Se assim não for, estaremos fadados, ao ostracismo da ineficiência.

(*) médica e vereadora (PPS)

Publicado no Jornal de Poços – 24/11/2011

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